Dessa inversão de cenários, nem mesmo a Ciência é poupada. É desnaturada. Dados epidemiológicos são construídos com objetivos sociais-políticos.
E sob essa ambiguidade sociocultural, esse conflito de ideias, esse subir e descer de conceitos, surge o livro: Transexualidade na Infância e Adolescência. Seu autor é o conhecido pediatra da infância e adolescência, o Professor Francisco Baptista Assumpção Jr.
O livro é de abordagem estritamente técnica. Respira em meio a contradições de ordem e de gênero identitários.
Sua base teórica é o Existencialismo. O de Soren Kierkegard, filósofo norueguês, e de Jean-Paul Sartre, filósofo francês. A proposta de filosofia existencialista explora a luta do indivíduo para levar vida autêntica, não obstante, o aparente absurdo, a incompreensibilidade da sua existência. O que o submete a igual absurda crítica social.
Em síntese: no Existencialismo, o indivíduo é livre para decidir, para solitariamente buscar o melhor que acredita, o que o leva a ser responsável por suas decisões.
Aí está o portão de entrada para a identidade transexual.
A partir desta libertação existencial, o autor faz uso da sua excelente habilidade didática, desenvolve pautas técnicas, médicas, psicológicas e sociais.