A obra de Alberto Ferreira Bona, Guilherme Tavares de Arruda e Melissa Medeiros Braz é mais do que uma produção editorial: é um gesto científico e ético de reconhecimento, inclusão e pioneirismo mundial. Os capítulos percorrem com profundidade um caminho que vai desde políticas públicas e a epidemiologia em saúde do homem até as nuances da anatomia, da fisiologia e das funções sexual, urinária e anorretal, passando por métodos avaliativos e tratamentos baseados em evidências, e culminando em discussões fundamentais sobre diversidade sexual e de gênero.
Durante muito tempo, o homem esteve praticamente ausente dos discursos sobre a própria saúde. Mesmo com o avanço de políticas públicas tentando corrigir essa lacuna, os dados continuam claros: homens buscam menos assistência, demoram mais para buscar tratamento, enfrentam barreiras culturais relacionadas à virilidade e ao tabu da vulnerabilidade e, consequentemente, acabam chegando aos serviços de saúde com quadros mais avançados e limitantes. Quando falamos de disfunções pélvicas, esse atraso fica ainda mais evidente. Incontinência urinária, disfunções sexuais, dor pélvica crônica, disfunções anorretais e complicações pós-operatórias que merecem atenção fisioterapêutica permanecem, muitas vezes, invisíveis dentro do próprio sistema de saúde.